
Palavras como disfarce, imitação ou cópia são conhecidas de todos. Também
no cristianismo há pessoas que se dizem “cristãs”, mas no fundo não o
são.
Um automóvel parou ao meu lado em um espaço para descanso à margem de uma
auto-estrada na Alemanha. Alguém me ofereceu os “melhores artigos de couro” por
pouco
dinheiro.
Como fui totalmente surpreendido pela oferta e também tinha pouco tempo, comprei
um objeto pequeno. Apenas mais tarde percebi o tipo de “artigo de couro” que
havia adquirido: uma imitação barata, que desmontava só de olhar para ela.
Há muitas coisas falsas, quase idênticas às verdadeiras, difíceis de
distinguir das genuínas, como roupas, relógios, jóias, quadros, tapetes, etc.
Precisamos de especialistas que consigam diferenciar entre o verdadeiro e o
falso com base em detalhes mínimos.
Também no cristianismo há imitações, disfarces, cópias, cristãos que parecem
verdadeiros e, no entanto, são falsos. Isso é ilustrado de forma clara na
parábola das dez virgens (Mt 25.1ss): exteriormente, as cinco virgens néscias
eram muito parecidas com as sábias, exceto pelo fato de que lhes faltava o óleo
(um símbolo do Espírito Santo que habita nos salvos). Muitos vivem uma vida
cristã porque são levados pela corrente do cristianismo que os cerca. Seu
ambiente é cristão e por isso eles também o são.
Não quero que esta mensagem roube a certeza da salvação de ninguém que tenha
no coração essa convicção pelo testemunho do Espírito de Deus. Além disso, tenho
certeza de que um cristão espiritualmente renascido não pode se perder (Hb
10.10,14). Mas também não quero que alguém ponha sua confiança em uma falsa
segurança, em algo que nem mesmo existe.
Às vezes admiramo-nos quando pessoas, que eram consideradas cristãos
autênticos, de repente se desviam da fé e não querem ouvir mais nada a respeito
de Jesus e da obra que Ele realizou na cruz do Calvário, chegando até mesmo a
negá-la. O apóstolo João também passou por essa experiência dolorosa, descrita
em sua primeira carta:
“Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos
nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco;
todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”
(1 Jo 2.19).

Este buquê de flores é verdadeiro ou não? Também no
cristianismo há
imitações, cristãos verdadeiros e falsos cristãos.
A Bíblia não esconde o fato de que além do cristianismo verdadeiro, legítimo,
renascido da “água e do espírito”, há também um cristianismo aparente, formado
por “cristãos” que não estão ligados a Jesus, não estão enraizados nEle, não
vivem nEle e por Ele. Mesmo que tudo pareça legítimo, eles não passam de uma
imitação. É desses “cristãos” que Paulo fala ao escrever a Timóteo, em sua
segunda carta:
“...tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder.
Foge também destes” (2 Tm 3.5). A Edição Revista e Corrigida diz:
“...tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes
afasta-te”. Na Nova Versão Internacional lemos:
“...tendo aparência de
piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.
Sendo cristão sem ser cristão
De acordo com pesquisas nos EUA, quase metade dos americanos se dizem
cristãos renascidos. Mas uma análise mais aprofundada revelou que muitos
confundem o novo nascimento com uma sensação positiva a respeito de Deus e de
Jesus.
Um levantamento estatístico entre os cristãos praticantes nos EUA apresenta
resultados desanimadores, o que também é representativo em relação à Europa:
- 20% nunca oram
- 25% nunca lêem a Bíblia
- 30% nunca vão à igreja
- 40% não apóiam a “obra do Senhor” por meio de ofertas
- 50% nunca vão à Escola Bíblica Dominical (de todas as faixas etárias)
- 60% nunca vão a um culto vespertino
- 70% nunca dão dinheiro para missões
- 80% nunca freqüentam uma reunião de oração
- 90% nunca realizam culto em família [1]
Se a situação já é assim na América marcada pela influência do puritanismo,
quanto mais na superficial Europa.
O próprio Senhor Jesus advertiu a respeito da confissão nominal, que carece
de conteúdo verdadeiro, ou seja, que não está de acordo com o que vai no
coração:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia,
hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu
nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos
milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de
mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23). Com isso, o Senhor
esclarece quatro pontos básicos: há duas coisas que não são de forma alguma
suficientes para que alguém seja salvo, e outras duas são imprescindíveis para
que alguém seja redimido.
Duas coisas insuficientes para a salvação
Nem a simples confissão “Senhor, Senhor” (1) nem as obras em nome de Jesus
(2) são suficientes para alcançar a salvação eterna. Em muitas igrejas,
denominações e entidades cristãs as orações são meramente formais, os atos de
caridade são feitos em nome de Jesus sem que aqueles que os realizam pertençam a
Ele ou sejam filhos de Deus. Quantos indivíduos “cristãos” realizam atos
cristãos sem pertencerem a Cristo! É assustador que no fim Jesus até mesmo
condena as suas ações como sendo iníquas:
“Apartai-vos de mim, os que
praticais a iniqüidade”.
Duas coisas imprescindíveis para a salvação
Precisamos fazer a vontade de Deus (1) e precisamos ser conhecidos por Deus
(2).
1. Fazer a vontade do Pai celeste não é realizar muitas boas ações,
pequenas e grandes, mas ter fé em Jesus Cristo, entregar conscientemente a vida
a Ele e obedecer-Lhe na prática.
O judaísmo da época de Jesus tinha “boas ações” para apresentar: muitos eram
fanáticos em seguir a lei, lidavam com a Palavra de Deus, expulsavam maus
espíritos e faziam milagres. Mas uma coisa eles não queriam: crer em Jesus
Cristo e, assim, aceitar a misericórdia que recebemos por meio dEle. Pensavam
que chegariam ao céu sem Ele, que Deus reconheceria as suas obras e lhes
permitiria entrar. Porém, foi justamente nesse ponto que Jesus tratou de
contrariar seus planos. Eles tinham de aprender e aceitar que a vontade de Deus
era que reconhecessem sua própria falência espiritual e cressem em Jesus.
Nós enfrentamos o mesmo problema hoje. “Cristãos” nascidos em um ambiente
cristão pensam que conseguirão ir para o céu por meio de obras cristãs. Ao lhes
dizermos que nada disso serve, que no fim das contas as suas ações são
iniqüidades inaceitáveis aos olhos de Deus e que eles continuam perdidos, a
grande maioria reage de forma irritada, por pensar que não precisam de Jesus
pessoalmente. Quando Jesus foi questionado:
“Que faremos para realizar as
obras de Deus?”, Ele respondeu:
“A obra de Deus é
esta: que creiais
naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.28-29).
2. Precisamos ser conhecidos por Deus. Haverá pessoas das quais Jesus
dirá naquele dia:
“Apartai-vos de mim, os que praticais a
iniqüidade”.
Não é suficiente crer em Jesus de forma superficial, reconhecê-lO, acreditar
em Sua existência ou aceitá-lO até certo ponto. Não – é preciso que haja um
encontro pessoal com Ele.
Posso dizer: “Conheço o presidente do Brasil”. De onde o conheço? De suas
aparições na mídia. Mas será que ele me conhece? Claro que não! No entanto, se
eu fosse convidado a visitá-lo, teria a oportunidade de ser conhecido por
ele.
O Senhor Jesus convida cada ser humano, de forma pessoal, a entregar-se a
Ele:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos
aliviarei” (Mt 11.28). Quem aceita esse convite, quem se achega a Ele com
todos os seus pecados, quem O aceita em seu coração e em sua vida e crê em Seu
nome (Jo 1.12), esse é conhecido por Ele. Quem fez isso reconheceu o Pai e o
Filho de Deus e entrará no céu:
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a
ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo
17.3).
“Tens nome de que vives...
...e estás morto” (Ap 3.1). Há muitos que se chamam de “cristãos”, mas
o são apenas nominalmente. O Senhor Jesus falou de pessoas que imaginariam
servir a Deus matando justamente Seus verdadeiros filhos:
“Eles vos
expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com
isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim” (Jo
16.2-3).

Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações são meramente
formais, sem que aqueles que rezam pertençam a Jesus.
Eles reivindicam autoridade teológica, pensam servir a Deus, mas não conhecem
nem o Pai nem Jesus Cristo. Isso aconteceu, por exemplo, na época das Cruzadas e
da Inquisição. Hoje também existe uma teologia que reivindica toda autoridade
para si e rejeita os que se baseiam na Palavra de Deus. Basta lembrar das muitas
seitas e do islamismo, que afirmam que Deus não tem um Filho.
Já no século VII antes de Cristo, na época do profeta Jeremias, havia
dignitários religiosos meramente nominais. Ouvimos o lamento de Jeremias:
“Os
sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me
conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por
Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (Jr 2.8).
Mesmo um cristão meramente nominal pode apostatar da fé. Quem com sua boca
confessa ser cristão, mas não pratica o cristianismo no dia-a-dia, precisa
aceitar que outros lhe perguntem se não está enganando a si mesmo.
Não é exatamente isso que vemos hoje? Muitos teólogos abandonaram a fé
bíblica e correm atrás de convicções que não servem para nada. Eles se abriram
para religiões e correntes espirituais que não têm absolutamente nada a ver com
Jesus Cristo. Isso também já aconteceu na época em que o povo de Israel
peregrinou pelo deserto. Depois de ter louvado a grandeza e a soberania de Deus
(Dt 32.3-4), Moisés emendou uma declaração sobre os infiéis:
“Procederam
corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e sim suas manchas; é geração
perversa e deformada” (v.5). Portanto, realmente é possível que aqueles que
não são Seus filhos se tornem infiéis a Ele.
É dito a respeito dos filhos de Eli:
“Eram, porém, os filhos de Eli filhos
de Belial e não se importavam com o Senhor... Era, pois, mui grande o pecado
destes moços perante o Senhor, porquanto eles desprezavam a oferta do Senhor” (1
Sm 2.12,17). Não reconheceram ao Senhor porque desprezaram o sacrifício.
Enquanto uma pessoa (por mais cristã que se considere) desprezar o sacrifício de
Jesus pelo pecado, não reconhecerá o Senhor.
Todos os israelitas saíram do Egito, mas da maior parte deles Deus não se
agradou, motivo pelo qual tiveram de morrer no deserto (veja 1 Co 10.1-12).
Como exemplo especial de alguém que era crente nominal e que realizava obras,
mas que ainda assim estava espiritualmente morto, lembro de Balaão (veja Nm
22-24):
- Ele era um homem a quem Deus se revelava, com quem Deus falava (Nm
22.9).
- No começo ele foi obediente (Nm 22.12-14).
- Ele afirmava conhecer o Senhor e O chamou de “meu Senhor” e “meu Deus” (Nm
22.18).
- Ele adorava o Senhor (Nm 22.31).
- Ele reconhecia a sua culpa (Nm 22.34).
- Ele estava disposto a servir (Nm 22.38).
- Deus colocou Suas próprias palavras na boca de Balaão (Nm 23.5).
- Balaão abençoou Israel três vezes (Nm 23 e 24).
- Ele testemunhou da sinceridade e da fidelidade de Deus (Nm 23.19).
- Ele falou três vezes do Messias como Rei de Israel (Nm 23.21; Nm
24.7,17-19).
- O Espírito Santo veio sobre ele (Nm 24.2).
- Ele testemunhava ser um profeta de Deus (Nm 24.3-4).
- Balaão confirmou a bênção e a maldição de Deus sobre os amigos e inimigos de
Abraão (Nm 24.9, Gn 12.3).
- Ele colocou o mandamento de Deus acima de bens materiais (Nm 24.13).
- Ele falou profeticamente a respeito do futuro dos povos, sobre a chegada do
Messias e chegou a mencionar o Império Mundial Romano [Quitim] (Nm
24.14-24).
Apesar de tudo isso, a Bíblia chama Balaão de falso profeta, vidente e
sedutor (veja Nm 31.16; Js 13.22; Ne 13.1-3; 2 Pe 2.15-16; Jd 11; Ap 2.14-16).
Por quê? Porque Balaão fazia concessões e aceitava comprometimentos, e levou o
povo de Deus a se misturar com outros povos. Havia uma discrepância entre suas
palavras e ações.
“Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se
com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus
deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a
Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra Israel” (Nm 25.1-3). Balaão
havia levado Israel a essa prostituição (Nm 31.16; Ne 13.1-3). Pedro chama
Balaão de alguém que
“amou o prêmio da injustiça”. Na Epístola de Judas
ele é chamado até mesmo de enganador (“erro de Balaão”) e no Apocalipse ele é
apresentado como alguém que “armou ciladas”.
A Bíblia diz a respeito das pessoas nos últimos tempos que
“os homens
perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm
3.13). Quem tende a prostituir-se espiritualmente ou a comprometer sua fé e
suporta, permite e pratica essas coisas sem que sua consciência o acuse, tem
motivo para crer que, apesar das aparências, não é um cristão verdadeiro. Com
isso não estou me referindo à luta contra o pecado, que qualquer filho de Deus
enfrenta. Não, aqui não se trata de “derrotas” na fé e na obediência, mas de
lidarmos com o pecado de forma consciente e indiferente, de deliberadamente
escolhermos a prática pecaminosa.
Não somos salvos por nossas próprias obras, mas somente pela fé em Jesus
Cristo, pela conversão a Ele. Só aqueles que O aceitam, ao Filho de Deus, em seu
coração e em sua vida, com fé infantil, poderão realizar obras que testemunhem a
veracidade de sua fé. Essa fé precisa estar “enraizada” na Palavra de Deus. Em
Sua parábola sobre o semeador, Jesus diz que há pessoas que aceitam a Palavra de
Deus com alegria, mas não criam raízes para ela e mais tarde a abandonam (Mt
13.20-21). A raiz liga a planta à terra, da qual ela vive, lhe dá firmeza,
extrai alimento e o conduz à planta. A raiz é um símbolo do Espírito Santo, por
meio do qual estamos enraizados em Deus. O Espírito Santo nos traz a vida em
Deus, à medida que extrai alimento das Escrituras.

Qualquer planta precisa ter raízes para poder absorver água e alimentos.
Assim, todo cristão também precisa estar enraizado em Jesus Cristo.
Podemos aceitar a Palavra de Deus de forma superficial, podemos simpatizar
com o Senhor, podemos acompanhar os cristãos durante algum tempo, mas depois nos
afastar novamente, porque nunca nascemos realmente de novo e por isso nunca
tivemos “raízes”.
Jesus disse aos Seus discípulos, àqueles que O seguiam:
“Contudo, há
descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não
criam e quem o havia de trair” (Jo 6.64). De acordo com Hebreus 6.4-6, há
pessoas que foram “iluminadas”, que “provaram o dom celestial”, e que até “se
tornaram participantes do Espírito Santo” e ainda assim caíram. Por quê?
- Porque foram iluminadas, mas elas mesmas nunca se tornaram luz. A luz pode
se refletir em mim, e então estou iluminado; mas é preciso mais para que eu
mesmo seja luz.
- Porque provaram, mas não comeram (aceitaram). Posso sentir o cheiro do pão,
provar o seu sabor (assim como o enólogo, que toma um pouco de vinho na boca
para testar seu aroma, mas depois o cospe fora). Mas é preciso que aconteça
mais: precisamos comer o pão, ingeri-lo. Não basta “provar” Jesus, ou seja,
experimentá-lO – precisamos aceitá-lO em nós (Jo 6.53-56,63; Jo 1.12).
- Porque participaram do efeito do Espírito Santo, mas nunca O receberam
pessoalmente. Ao ler a Palavra de Deus, ao freqüentar um culto, posso participar
do efeito do Espírito Santo. Mas isso não é suficiente. Não – é preciso que haja
uma renovação espiritual real.
É possível que pessoas assim imitem o cristianismo durante algum tempo,
acompanhem e participem de uma igreja local. Mas um dia elas “cairão” e negarão
a Jesus. Então muitos se perguntam espantados: “Como isso é possível?”
Quando o Senhor Jesus falou de comer Sua carne e beber Seu sangue para ganhar
a vida eterna (Jo 6.53-59), muitos de Seus discípulos disseram:
“Duro é este
discurso; quem o pode ouvir?” (v. 60) e se afastaram dEle (v. 66), apesar
dEle ter lhe explicado de antemão o que isso significava:
“O espírito é o que
vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são
espírito e são vida” (v. 63).
Tornar-se cristão apesar de ser “cristão”
Enganam-se a si mesmos os que pensam que todos são cristãos! Muitas vezes,
quando questionei pessoas que davam a entender isso, a resposta era: “Meus pais
são cristãos”, ou: “Minha família é cristã!” Um conhecido evangelista costumava
responder a essas afirmativas: “Se alguém nasce em uma garagem, isso não
significa que seja um automóvel! E quando alguém nasce em uma família cristã,
ainda falta muito para que se torne cristão!” (extraído de um livro de Wilhelm
Busch).
Jesus disse a Pedro:
“Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não
desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc
22.32). Por um lado, o Senhor confirmou a fé de Pedro. Por outro lado,
porém, Ele falou da necessidade de sua conversão futura. Pedro poderia ter
retrucado: “Senhor, sou judeu, um filho de Abraão. Cumpro os mandamentos, fui
circuncidado ao oitavo dia, guardo o sábado, oro três vezes ao dia, celebro a
Páscoa e faço os sacrifícios. E já Te sigo há três anos...” Mesmo assim, ele
ainda precisava converter-se. Da mesma forma Paulo, o grande defensor da lei,
precisou se converter, assim como todos os outros apóstolos e discípulos.
Toda pessoa precisa se converter se quiser ser salva – inclusive os
“cristãos”, sejam eles membros da igreja católica romana, protestantes,
evangélicos ou de uma família cristã. Não são poucos os que nascem no
cristianismo, da mesma forma como os judeus nascem no judaísmo. Mas, não é esse
nascimento que dá a salvação, alcançada somente através de um “novo nascimento”:
“Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode
ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Precisamos nos converter mesmo que tenhamos
sido batizados quando pequenos, freqüentado aulas de catecismo ou participado de
cultos. Se não nascermos de novo, continuaremos perdidos.
Mais tarde, quando o apóstolo Pedro se converteu e experimentou o novo
nascimento, ele escreveu em sua primeira carta:
“Bendito o Deus e Pai de
nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos
regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus
Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula,
imarcescível, reservada nos céus para vós outros” (1 Pe 1.3-4).
Quem carrega em si o testemunho do Espírito Santo a respeito de seu novo
nascimento (Rm 8.16) deve alegrar-se com essa certeza e agradecer a Jesus Cristo
por ela. Mas quem não possui esse testemunho inconfundível do Espírito Santo e
ainda assim pensa ser cristão, está sujeito a um grande engano. Mas hoje esses
“cristãos”, e qualquer pessoa que queira ser salva, pode alcançar a certeza da
salvação, se converter-se de forma muito séria a Jesus Cristo. Então, por que
esperar mais? (Norbert Lieth -
http://www.chamada.com.br)